Alfredo Cotait Neto analisa estudo da FGV que mostra que redução pode elevar em até 22% o custo por hora do trabalho para os empregadores
Ao analisar o estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que mostra que a redução da jornada de trabalho ou da chamada escala 6×1, em discussão no Congresso Nacional, pode elevar em até 22% o custo para os empregadores, o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, afirma que o debate sobre esse tema precisa ser técnico, e não político, em ano eleitoral.
Os dados da FGV constatam que a redução da jornada sem a diminuição dos salários, além de aumentar os custos trabalhistas, não resultam em expansão do emprego ou da produtividade. A mudança também pode levar ao aumento de preços e ao investimento em automação (com demissão de mão de obra). Outras consequências são a retração da atividade e aumento da informalidade.
“Os números evidenciam que esse debate é impossível no momento, pois todo o setor produtivo será prejudicado. Será um processo contaminado pela busca de votos, em período eleitoral, sem que se discuta impactos na economia e na geração de empregos. Os empreendedores precisam ser ouvidos quando essa temática realmente tiver contexto para ser debatido”, enfatiza o presidente da CACB.
O estudo revela ainda que os efeitos da alteração podem ser diferentes dependendo do setor, devido a heterogeneidade das atividades econômicas do Brasil. “Os mais afetados com qualquer redução serão a base da economia, os micro, pequenos e médios empreendedores, que já sofrem com mão de obra escassa e margem de lucro mínima, decorrente da crise fiscal, que sempre os prejudica”, adverte Cotait.
“É preciso serenidade, valorização do pequeno e médio empreendedor e discernimento para – no momento correto – iniciar o debate”, acrescenta. Na avaliação de Cotait, o Brasil não está preparado para discutir esse tema agora e os parlamentares precisam ter esse entendimento e assumir essa responsabilidade. “Impor uma mudança na jornada de trabalho será uma medida nefasta para o Brasil”.
De acordo com estudo, organizado pelo professor de Políticas Públicas da FGV, André Portela, no país, que tem baixa produtividade do trabalho, empresas heterogêneas, a saída para a redução da jornada deve passar pelos investimentos em capital humano, em tecnologia e nas organizações da produção.