18/03/2026

Presidente da CACB fala dos impactos da mudança na escala 6X1

Presidente da CACB fala dos impactos da mudança na escala 6X1

Alfredo Cotait Neto analisa estudo da FGV que mostra que redução pode elevar em até 22% o custo por hora do trabalho para os empregadores


Ao analisar o estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que mostra que a redução da jornada de trabalho ou da chamada escala 6×1, em discussão no Congresso Nacional, pode elevar em até 22% o custo para os empregadores, o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, afirma que o debate sobre esse tema precisa ser técnico, e não político, em ano eleitoral.

Os dados da FGV constatam que a redução da jornada sem a diminuição dos salários, além de aumentar os custos trabalhistas, não resultam em expansão do emprego ou da produtividade. A mudança também pode levar ao aumento de preços e ao investimento em automação (com demissão de mão de obra). Outras consequências são a retração da atividade e aumento da informalidade.

“Os números evidenciam que esse debate é impossível no momento, pois todo o setor produtivo será prejudicado. Será um processo contaminado pela busca de votos, em período eleitoral, sem que se discuta impactos na economia e na geração de empregos. Os empreendedores precisam ser ouvidos quando essa temática realmente tiver contexto para ser debatido”, enfatiza o presidente da CACB.

O estudo revela ainda que os efeitos da alteração podem ser diferentes dependendo do setor, devido a heterogeneidade das atividades econômicas do Brasil. “Os mais afetados com qualquer redução serão a base da economia, os micro, pequenos e médios empreendedores, que já sofrem com mão de obra escassa e margem de lucro mínima, decorrente da crise fiscal, que sempre os prejudica”, adverte Cotait.

“É preciso serenidade, valorização do pequeno e médio empreendedor e discernimento para – no momento correto – iniciar o debate”, acrescenta. Na avaliação de Cotait, o Brasil não está preparado para discutir esse tema agora e os parlamentares precisam ter esse entendimento e assumir essa responsabilidade. “Impor uma mudança na jornada de trabalho será uma medida nefasta para o Brasil”.

De acordo com estudo, organizado pelo professor de Políticas Públicas da FGV, André Portela, no país, que tem baixa produtividade do trabalho, empresas heterogêneas, a saída para a redução da jornada deve passar pelos investimentos em capital humano, em tecnologia e nas organizações da produção.


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